quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Percepção dos Alunos de Graduação em Enfermagem sobre Ser Enfermeiro

Revista Nursing, v. 76, n. 7, Setembro 2004 29
Val, L. F. do; Sá, F. de F. M. F. de; Santos, R. M. dos. Percepção dos Alunos de Graduação em Enfermagem sobre Ser Enfermeiro
Nursing
O objetivo desse estudo foi identificar o perfil dos alunos e da profissão enfermeiro por estudantes do primeiro ano do curso de graduação em Enfermagem. Os dados obtidos através de uma redação demonstraram que os alunos vieram para universidade com uma visão de que ser enfermeiro é saber gerenciar os serviços de enfermagem, com capacidade para cuidar/ajudar, manter e promover a saúde da população; os motivos que levaram o estudante a optar por esta profissão foram por gostar da mesma e por aumentar o conhecimento técnico e científico; entre os aspectos positivos estão os vários campos de atuação da enfermagem, poder colaborar com a cura e entre os aspectos negativos estão os baixos salários e lidar com a morte.
Unitermos Enfermeiro, Aluno de enfermagem, Opção profissional
The aim of this study was to identify the profile of profession and students by freshmen graduating Nursing students about the reasons that made them choose Nursing as a future profession. Data was assembled from an investigation realized by the teaching staff who requested their students to elaborate a composition, which showed that a significant part came to University with the idea that a Nurse is able to manage Nursing services and is able to help/take care, maintain and promote the population’s health; the reasons why they chose that profession was attributed to the fact that they identify themselves with it and the wish of amplifying their technical and scientific knowledge; amongst the positive aspects, they expressed the various fields of Nursing and the possibility to help cure, and the negative aspects were related to low wages and psychological effects, like the close association to death.
Uniterms Nurse, Nursing student, Professional choice
El objetivo de este estudio era identificar lo perfil de los alumnos y de lo oficio de Enfermero por estudiantes del primer año del curso de graduación en Enfermería. Los datos obtenidos por medio de una redacción demostraron que los alumnos llegaron hasta la Universidad con una visión de que un Enfermero puede manejar los servicios de Enfermería y es capaz, y es capaz de ayudar/cuidar, mante-ner y promover la salud de la población; las razones que los estudiantes optaron para ese ofício fueron que ellos se identifican com él y el deseo de amplificar su conocimiento técnico y científico, entre los aspectos positivos están los varios campos de actuación y la posibilidad de ayudar en la cura, y entre los aspectos negativos están los bajos sueldos y la asociación ítima con la muerte.
Unitermos Enfermeros, Alumno de Enfermeria, Opción de oficio
Percepção dos Alunos de Graduação em Enfermagem sobre Ser Enfermeiro
Luciane Ferreira do Val
Docente do curso de Enfermagem da Universidade de Ribeirão Preto - Campus Guarujá (UNAERP). Licenciada em Enfermagem pela Faculdade de Educação da USP. Especialista em Administração Hospitalar pela UNAERP. Mestre em Enfermagem em Saúde do Adulto pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP)
Fabrícia de F. M. F. de Sá
Assistente da Coordenação e docente do curso de Enfermagem da Universidade de Ribeirão Preto - Campus Guarujá (UNAERP). Especialista em Enfermagem Psiquiátrica pela Universidade de São Paulo (UNIFESP). Mestre em Enfermagem Psiquiátrica pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP)
Rachel M. dos Santos
Docente do curso de Enfermagem da Universidade de Ribeirão Preto - Campus Guarujá (UNAERP). Especialista em Saúde Pública, Administração de Serviços de Saúde, Administração Hospitalar, Enfermagem do Trabalho; Doutoranda na Área de Medicina Preventiva e Social pela UNICAMP
Recebido: 31/10/2003 – Aprovado: 23/04/2004
Ensino
INTRODUÇÃO
Mesmo antes do início da disci-plina Introdução à Assistência de Enfermagem, de uma universi-dade particular do Litoral Paulista, ministrada no segundo semestre do primeiro ano da graduação em Enfer-magem, já era motivo de questiona-mento por parte de nós docentes do por que dessa escolha profissional pelos alunos e o que estava por trás dessa escolha.
Estudos mostram que os alunos escolhem o curso de enfermagem sem saber o real significado de ser enfer-meiro e as implicações de tal opção. O conhecimento dessas razões por parte dos docentes possibilitaria uma
melhor valorização dessa escolha, sub-sídios para propostas mais produtivas relacionadas ao ensino-aprendizagem, uma melhor adequação da realidade atual da profissão e também, do rela-cionamento docente-discente, confir-mando o compromisso com a forma-ção profissional do enfermeiro1.
Acreditamos, que o conhecimento do aluno a respeito da profissão, seu significado, suas expectativas é um aspecto importante, entre outros, no desenvolvimento de propostas de ensi-no não só para essa disciplina, mas para o curso de Enfermagem como um todo. Cabe ressaltar, que uma das preocupações do Departamento de Enfermagem é fazer com que não só o discente, mas também, o docente possa participar ativamente do proces-so ensino-aprendizagem, contribuin-do na melhoria da qualidade desse ensino.
Concordamos ser possível, capaci-tar esse aluno para assumir a respon-sabilidade social que têm a profissão na melhoria da saúde e da qualidade de vida da população, desse modo, é fundamental que o currículo de enfer-magem esteja de acordo com o sistema de saúde atual, pois o ensino “deve estar centrado na experiência direta do aluno, na redescoberta do significa-do da profissão e não simplesmente, na repetição de conteúdos programá-ticos”2.
Acreditamos que desvelando o que os discentes pensam a respeito da enfermagem, principalmente nesse ini-cio do curso, possa facilitar compreen-dê-los melhor, formando-os de modo mais consciente sobre a escolha pro-fissional que fizeram e que realmente possam “abraçar” a profissão.
Nesse sentido é que nos propu-semos a realizar este estudo, com a finalidade de entender o que pensam os discentes sobre a profissão que escolheram, o que poderá resultar em sugestões no processo ensino aprendi-zagem, reconhecendo que temos um grande desafio como docentes em formar profissionais qualificados para uma sociedade cada vez mais cons-ciente de seus direitos. Os objetivos do nosso estudo foram: identificar o que é ser enfermeiro pelos discentes do primeiro ano de graduação em enfermagem; identificar por que esco-lheram essa profissão e verificar se reconhecem aspectos positivos e nega-tivos nessa escolha profissional.
METODOLOGIA
A população do estudo foi consti-tuída por 61 alunos que freqüentaram o primeiro dia de aula da disciplina Introdução à Assistência de Enferma-gem, da primeira turma de graduação da UNAERP (Universidade de Ribei-rão Preto - Campus Guarujá), período manhã e tarde, ano de 2001.
Como critérios para inclusão foram: a aceitação em participar desta pesquisa de modo voluntário e assi-nar o termo de consentimento livre e esclarecido.
Esta pesquisa de campo é do tipo exploratória, onde foi traçado um per-fil dos estudantes de enfermagem e pedido aos alunos que escrevessem uma redação constando resposta a três questões norteadoras: 1) Na sua opinião o que é ser enfermeiro?; 2) Por quê escolheu essa profissão? e 3) Quais aspectos positivos e negativos você vê nesta profissão?
Os dados obtidos na identifica-ção do perfil foram categorizados e apresentados segundo a freqüência absoluta e relativa e os dados obtidos na identificação da profissão foram agrupados na medida em que expres-savam a mesma idéia ou opinião, inde-pendentemente de se apresentarem com os mesmos termos.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Identificação do perfil
A identificação da população do estudo constituiu-se de 61 (75,3%) alunos, sendo 41 (67,2%) do perío-do da manhã e 20 (32,8%) do perío-do da tarde; faltaram neste dia 15 (18,5%) alunos e não assinaram o termo de consentimento livre e escla-recido 5 (6,2%).
A maioria é do sexo feminino 52 (85,2%) e 9 (14,8%) alunos são do sexo masculino, mantendo o predomí-nio na enfermagem. A média de idade é de 31,7 anos, considerada alta para um curso de graduação, sendo que a idade máxima é de 58 anos e a míni-ma é de 18 anos.
Quanto ao estado civil 27 (44,3%) são solteiros, 22 (36,1%) são casa-dos, 5 (8,2%) não responderam; 4 (6,6%) são divorciados; 2 (3,3%) são separados e 1 (1,6%) informou ser amasiado. Desses, 38 (62,3%) não informaram se têm filhos, 11 (18,0%) informaram ter um filho, 10 (16,4%) dois filhos e 2 (3,3%) três filhos. A maioria dos alunos, 53 (86,9%), mora com a família; 4 (6,6%) moram sozi-nhos; 3 (4,9%) não informaram com que moram e 1 (1,6%) com colegas.
Quanto à ocupação, 35 (54,7%) são auxiliares de enfermagem, 9 (14,1%) são estudantes, 8 (12,5%) não informaram; instrumentadora cirúrgi-ca, policial militar e recepcionista, 6 (9,4%), sendo dois para cada item, respectivamente; técnico em radiolo-gia, auxiliar fotográfico, operador de painel, balconista de medicamentos, do lar e ajudante de serviços gerais, 6 (9,4%), sendo um para cada item, respectivamente.
A maioria dos alunos informou ser da religião católica 40 (65,6%), segui-da pela evangélica 6 (9,8%), 4 (6,6%)
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Ensino
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Nursing
“A INTELIGÊNCIA
EMOCIONAL É UM
CONJUNTO DA
CAPACIDADE DA PESSOA EM CRIAR MOTIVAÇÃO PESSOAL E DE PERSISTIR NUM OBJETIVO APESAR DOS OBSTÁCULOS”.
informaram apenas “crer em Deus”, 4 (6,6%) não informaram, 3 (4,9%) espírita, 2 (3,3%) não têm religião, 1 (1,6%) disse ser católico e espírita e 1 (1,6%) da religião messiânica.
Quanto à nacionalidade 61 (100,0%) são brasileiros, sendo que desses a maioria 41 (67,2%) são de São Paulo, 5 (8,4%) não informa-ram; são da Bahia, Paraíba, Rio de Janeiro e Sergipe, 2 (3,3%) para cada item, respectivamente; e de Alagoas, Maceió, Maranhão, Mato Grosso, Per-nambuco, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, 1 (1,6%), para cada item respectivamente.
Identificação da profissão
Observou-se na resposta dos alu-nos de graduação em enfermagem sobre o que é ser enfermeiro, que existe uma relação concomitante de alegria e de dor nessa profissão, que é necessário ter muita paciência, equi-líbrio emocional, inteligência, saber ouvir, planejar, organizar e supervi-sionar a assistência de enfermagem. Também é muito forte na opinião desses alunos o poder cuidar/ajudar o próximo com ética e profissionalis-mo, pensando em promover a saúde e o bem-estar da comunidade, pratican-do uma enfermagem preventiva e sem preconceitos.
De um modo geral, percebemos que estes alunos apresentam um certo amadurecimento no modo como visua-lizam a profissão, pois relatam algu-mas características para um atendi-mento individualizado (paciência e equilíbrio), até uma visão maior de gerência do serviço de enfermagem que é um dos papeis do enfermeiro, respeitando princípios éticos, pratican-do uma enfermagem para a comunida-de e livre de preconceitos.
Essa relação de alegria e dor é exemplifica nesse trecho do livro O Amor é o Caminho, onde a auto-ra em seu tempo de estudante de graduação até pensou em desistir do curso de Enfermagem e quando indagada por seus pais do porque ela conta: “um paciente jovem, de quem eu estava cuidando, havia morrido... Chorei o medo que eu tinha de não ter sido capaz de cuidar bem, de não ter sido rápida o suficiente, chorei a minha incompreensão de alguém tão jovem morrer, chorei a tristeza de não ter sabido consolar a família... Chorei tudo o que podia e conseguia chorar”. Depois desse desabafo e ela recebeu apoio dos pais e conclui: “fiquei de novo feliz por estar fazen-do Enfermagem”3. Mas, nem todos os alunos têm esse apoio familiar, alguns dos nossos alunos vivem sozi-nhos e o docente precisa estar atento, para intervir nesse momento, escutar e deixá-lo desabafar.
Inteligência e equilíbrio emocio-nal também apareceram na resposta dos alunos, e isso é muito enrique-cedor para nós professores, pois a inteligência emocional é um conjun-to da capacidade da pessoa em criar motivação pessoal e de persistir num objetivo apesar dos obstáculos, con-trolar impulsos, ser empático, auto-confiante, manter um bom estado de espírito e impedir que a ansiedade interfira na capacidade de racioci-nar4. Qualidades fundamentais não só para os enfermeiros como para qualquer pessoa humana.
Saber ouvir para os alunos, já apa-rece como algo importante para ser enfermeiro. E realmente é importan-te, sendo tema de estudo da própria disciplina tanto a comunicação ver-bal, como a comunicação não verbal. Permanecer em silêncio, tentar ouvir o que o outro diz, aprendendo a con-trolar os sentimentos, preconceitos, ouvir os sentimentos que estão por trás do que esta sendo dito e com empatia, é uma das técnicas da comu-nicação verbal4, 5.
O silêncio é uma das técnicas mais difíceis de ser posta em prática pela enfermagem, pois geralmente é o enfermeiro quem mais fala para o paciente6.
Na realidade da prática assisten-cial, o enfermeiro freqüentemente assume cargo de chefia nas institui-ções de saúde e não a assistência direta ao paciente. Como a maioria dos pesquisados é auxiliar de enfer-magem, entendemos o porque da opi-nião deles de que para ser enfermeiro é preciso saber planejar, organizar e supervisionar a assistência de enferma-gem e não praticar a assistência direita ao paciente.
Esta decisão entre atender as pró-prias expectativas, assumindo a assis-tência direta ao paciente ou as exi-gências da instituição de saúde, não é fácil e isenta de complicações para o enfermeiro, muito pelo contrário, gera insegurança e frustração profis-sional7.
Com relação à resposta dos pes-quisados de que é preciso cuidar/ aju-dar com ética para promover a saúde da comunidade, vai de encontro com a compreensão da enfermagem como uma ciência do cuidar/cuida-do primário da saúde, que Watson apud Waldow, prefere denominar de
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Nursing
Para ser enfermeiro é preciso ter equilíbrio emocional, ser paciente, saber gerenciar a assistência de enfermagem e promovê-la livre de preconceitos para a comunidade.
cuidado holístico, pois este promove o humanismo, saúde e qualidade de vida8.
Isso mostra que esses alunos têm conhecimento da profissão e suas res-ponsabilidades perante a sociedade, talvez por já possuírem em sua maio-ria, experiência prévia como traba-lhadores da equipe de enfermagem. Diferentemente, outro estudo mostra que alunos ingressantes e do último ano de graduação em enfermagem, ao iniciarem a vida acadêmica pouco ou nada conheciam sobre a profissão1.
As respostas dos alunos sobre o motivo pelo qual escolheram a pro-fissão enfermeiro foram por querer aumentar os conhecimentos técnicos, científicos e por amor a profissão. Adquirir competência no cuidado com o paciente, conhecimento técni-co e científico, também foram resulta-dos apresentados em estudo anterior9, pois as exigências da sociedade, a evo-lução tecnológica e do conhecimento humano influenciam diretamente na assistência de enfermagem.
Cabe lembrar, que para 4 (6,5%) dos alunos em nosso estudo, a enfer-magem foi à segunda opção no ves-tibular, sendo medicina, fisioterapia, educação física e agronomia como primeira opção.
Estudo com 1.148 alunos entrevis-tados em 28 Escolas de Enfermagem no Estado de São Paulo, 166 não ingressaram no curso desejado, por isso faziam enfermagem2.
Para os pesquisados, ter na família pessoas que já trabalham na área da saúde como enfermeiro ou instrumen-tador cirúrgico, ou ainda, por doença na família, também contribuiu nessa escolha. Esses fatos já eram conside-rados importantes no momento da escolha profissional1.
Outros fatores motivadores nessa escolha profissional, pelos pesquisa-dos foram ver na enfermagem vários campos de atuação interessantes, estar à procura de uma nova visão da humanização da assistência de enfermagem e por querer aumentar o padrão de vida.
Mercado de trabalho amplo, remu-neração, afinidade com a profissão, ideal, realização profissional e pessoal foram os aspectos mais importantes na escolha do curso superior para gran-de parte de estudantes de graduação2.
Quanto aos aspectos positivos da profissão vistos por alunos da gradua-ção em enfermagem foram: uma boa remuneração, os muitos campos de atuação do enfermeiro, colaborar na cura e bem-estar do paciente, maior conhecimento na área da saúde, faci-lidade em arranjar emprego e lidar com o nascimento.
Quanto à questão salarial, como a maioria dos alunos é trabalhador de nível médio, seus salários são meno-res do que os de nível superior, justifi-cando a busca pela ascensão profissio-nal financeira.
É interessante observar, que os alunos explicitam muito claramente participar da cura e não do cuidar do paciente/cliente, mostrando uma certa onipotência e indicando para os docen-tes a importância de ensinar sobre a morte, o morrer, já no inicio do curso, que o enfermeiro cuida sempre, independentemente do quadro clínico, sucesso ou insucesso do tratamento realizado3.
O reconhecimento profissional de pacientes e familiares e muitas vezes o não reconhecimento ou o não recebi-mento de méritos pelo trabalho realiza-do, apareceu como aspecto positivo e negativo para os alunos.
Quanto à questão da pouca valo-rização da profissão, os enfermeiros vêm lutando no sentido de definir melhor a sua imagem e o seu papel no cuidado a saúde. Desde as décadas de 70 e 80, vem sendo estudada a ima-gem do profissional enfermeiro nos meios de comunicação como rádio, cinema, televisão, jornais, revistas e novelas e três imagens foram signifi-cativas nesses estudos: a folclórica, a religiosa e a servil10.
Deixar de ter uma postura servil e não ter medo de mostrar a assis-tência de enfermagem a pacientes e familiares, é o que contribuirá para o enfermeiro ser reconhecido no traba-lho que realiza.
Acreditamos que essa mudança de postura já esta ocorrendo, visto o inte-resse no desenvolvimento profissional com aumento do número de especia-listas em várias áreas da enfermagem, na pós-graduação, nos cursos para mestres e doutores em enfermagem e na atuação dos Conselhos de Enfer-magem que fiscalizam, disciplinam e normatizam o exercício da profissão.
Outro fator importante na modifi-cação dessa cultura de desvalorização da enfermagem, é a inserção da mes-ma na política, pois as leis vêm atra-vés dos poderes Legislativos e Exe-cutivos, e a enfermagem já é mais de 50% da força de trabalho na área da saúde11, logo a enfermagem chegará a um milhão de trabalhadores em todo o país, fazendo necessário representan-tes no Poder Executivo que defendam os interesses da classe12.
Em relação aos aspectos negati-vos da profissão alguns alunos res-ponderam a necessidade de ter que estar sempre de bom humor para o paciente, o medo de se tornar um profissional que trabalha de forma mecânica, as diferenças que existem no tratamento de pacientes particu-lares e pacientes atendidos pelo sis-tema público de saúde, o não poder
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“O SILÊNCIO É UMA DAS TÉCNICAS MAIS DIFÍCEIS DE SER POSTA EM PRÁTICA PELA
ENFERMAGEM, POIS GERALMENTE
É O ENFERMEIRO QUEM MAIS FALA
AO PACIENTE”.
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errar, a falta de coleguismo, a alta carga horária e o contato com a dor e a morte. Outros apontaram, princi-palmente no litoral, os baixos salá-rios e o mercado ser cada dia mais competitivo.
Dentre os muitos aspectos que cha-mam a atenção, o medo dos futuros enfermeiros de desenvolver trabalho rotineiro, mecânico, seguindo normas institucionais que contrariam os inte-resses dos clientes e que os diferencia no atendimento, tanto pelo sistema particular, como pelo sistema público de saúde, mais uma vez levando a insatisfação e frustração profissional, deve ser tema de muitas discussões no decorrer do curso de Enfermagem, levando a reflexões profundas que permitam a esse discente mudar esse sistema de atendimento que não repre-senta a verdadeira assistência de enfer-magem.
Parece-nos, ser esta uma realida-de vivenciada pelos alunos que atual-mente trabalham na área da saúde e que precisam ser orientados por nos docentes com afinco para que eles consigam modificar esse quadro, cui-dando dos pacientes com eqüidade e respeitando o código de ética de enfermagem.
O enfermeiro tem uma obrigação ética relacionada ao compromisso com o paciente/cliente, com a excelên-cia profissional, para isso é necessário respeito aos códigos de enfermagem e as declarações dos direitos do pacien-te13.
A falta de crédito pelo trabalho realizado e a falta de coleguismo apa-recem em nosso estudo como algo negativo e acreditamos que o respeito e o reconhecimento pelo trabalho da equipe multiprofissional (enfermei-ros, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos, assistentes sociais, psicólo-gos entre outros), ocorrerá principal-mente quando esse bom exemplo vier de cima, ou seja, dos docentes que devem saber respeitar o trabalho de seus colegas e dos profissionais de outras áreas, servindo de exemplo para os alunos3.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados indicaram que quan-to ao perfil, a maioria dos alunos é do período da manhã; do sexo feminino; a média de idade é de quase 32 anos; uma parte dos alunos é solteira e outra é casada com filhos; a maioria é auxiliar de enfermagem, mora com a família, católicos, provenientes de São Paulo e todos são brasileiros.
Os alunos responderam que para ser enfermeiro existe uma relação de alegria e dor; alegria de poder cuidar/ ajudar e dor quando envolve a perda do paciente. É preciso ter equilíbrio emocional, ser paciente, inteligente, saber gerenciar a assistência de enfer-magem, ter ética e promover uma assistência livre de preconceitos para a comunidade.
Ampliar o conhecimento técnico e científico, gostar da profissão, ter parentes que atuam na área da enfer-magem, doença na família, as várias especialidades na enfermagem e a pro-cura de uma assistência de enferma-gem mais humanizada foram fatores motivadores na escolha profissional.
Os aspectos considerados positi-vos foram à remuneração ser maior, a diversidade na atuação profissional, participar da cura e do nascimento, facilidade em conseguir emprego. Os aspectos negativos foram a pouca valorização da profissão, o trabalho rotineiro, não poder expressar seus sentimentos, não poder errar, o exces-so de carga horária, a dor e a morte. Baixos salários e a competitividade também aparecem fazendo um con-traponto com os aspectos positivos citados anteriormente.
Concluímos que o docente tem uma responsabilidade com o ensino que vai além do formar discentes com competências e habilidades, que somos modelos a todo o instan-te e que a mudança na enfermagem para uma profissão cada vez mais fortalecida na sociedade é um desejo
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Referências bibliográficas

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